China e Coreia do Sul apostam em universidades e na exportação de alunos
TÓQUIO - A Ásia é a região que registra os maiores índices de crescimento na área do ensino superior. Seguindo o caminho adotado pelo Japão há pelo menos quatro décadas, países como China, Coreia do Sul, Taiwan e Cingapura também estão investindo em suas universidades e na formação dos alunos — um reflexo da ascensão econômica do continente. Entre os jovens chineses, principalmente, estudar em seu país já não basta. Eles vêm invadindo as universidades americanas, consideradas as melhores do mundo, apostando seu futuro numa educação globalizada.
| EC A college student looks for a book in the Kyung Hee University Central Library on the university's campus in Seoul, South Korea, on Tuesday, Sept. 3, 2013. South Korea, Asia’s fourth-largest economy, is emerging from the slowest growth in four years, fueled by an export rebound and fiscal stimulus that includes a $15 billion government-spending plan announced in April. Photographer: SeongJoon Cho/Bloomberg Terceiro / SeongJoon Cho/Bloomberg |
TÓQUIO - A Ásia é a região que registra os maiores índices de crescimento na área do ensino superior. Seguindo o caminho adotado pelo Japão há pelo menos quatro décadas, países como China, Coreia do Sul, Taiwan e Cingapura também estão investindo em suas universidades e na formação dos alunos — um reflexo da ascensão econômica do continente. Entre os jovens chineses, principalmente, estudar em seu país já não basta. Eles vêm invadindo as universidades americanas, consideradas as melhores do mundo, apostando seu futuro numa educação globalizada.
Segundo a última pesquisa divulgada pelo Instituto Internacional de Educação dos Estados Unidos, o número de estudantes chineses bateu recorde nas instituições de ensino superior americanas. No último ano letivo, o país recebeu 819 mil universitários estrangeiros. Quase 30% saíram da China. Há dez anos, o percentual era de 21%. Internacionalização é uma expressão-chave para Pequim, de olho na formação de uma mão de obra altamente qualificada, capaz de promover inovações em diferentes áreas.
Classe média e incentivos
O aumento da renda da população, a explosão da classe média e incentivos oficiais explicam a invasão dos centros de estudo internacionais pelos chineses. O acesso ao ensino superior na China dobrou em 30 anos. As famílias com recursos para investir em educação sonham em ver seus filhos com um diploma conquistado no exterior, trunfo que pode dar a eles chances maiores num mercado cada vez mais competitivo e sem fronteiras. O país encabeçou a pesquisa mundial do Programa de Avaliação Internacional de Alunos (Pisa).
De acordo com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a China tem o maior número de estudantes fora do país: 18% do total mundial. O governo incentiva a colaboração com grandes universidades ocidentais, enviando estudantes para o exterior, mas também atraindo alunos e professores de fora, numa via de mão dupla. Outras nações asiáticas estão embarcando no mesmo modelo, com base em verbas públicas ou privadas.
- A combinação de investimento em pesquisas, bom desempenho acadêmico, qualidade do recrutamento do corpo docente e estratégias de internacionalização, como publicação de estudos em inglês e contratação de funcionários formados no exterior, está dando frutos. China, Coreia do Sul, Taiwan e Cingapura tiveram imensos avanços na formação superior nos últimos vinte anos, como aconteceu com o Japão nas décadas de 1970 e 1980 - diz Simon Marginson, especialista em educação da Universidade de Melbourne e coeditor do “Times Higher Education”, que traz o ranking das melhores universidades do mundo.
Japão pode ser superado
A publicação criou este ano uma lista dedicada exclusivamente à avaliação das universidades asiáticas. O Japão, que começou a se desenvolver muito antes de seus vizinhos, lidera o ranking. A Universidade de Tóquio ocupa o primeiro lugar. Mas o governo japonês admite que se não investir num sistema mais globalizado, estimulando a formação de profissionais capazes de se destacar no mercado internacional, acabará sendo superado pelos chineses nessa área.
Uma das promessas do primeiro-ministro Shinzo Abe é liberar verbas para distribuir bolsas de estudo no exterior, atrair os melhores alunos de outros países e contratar acadêmicos estrangeiros. Ao contrário da China, o Japão manda cada vez menos estudantes para cursos de graduação ou intercâmbios em centros internacionais.
- O Japão discute a internacionalização do ensino superior há anos, mas o avanço é lento. Os chineses são mais pragmáticos. Não perdem tempo em debater a importância do inglês, sabem que é a língua do mundo dos negócios - diz Joshua Ka Ho Mok, especialista do Instituto de Educação de Hong Kong, que destaca a competitividade dos universitários sul-coreanos, também dispostos a conquistar o mundo.
A Coreia do Sul é um dos principais fornecedores de estudantes para Harvard.
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