População relata que disparo foi feito por policial militar da UPP do Arará/Mandela. Vítima estava na sacada de apartamento no condomínio da Embratel. Protesto foi realizado por causa de abordagem a adolescente de 13 anos
RIO - A poucos minutos de completar cinco anos de existência, mais uma comunidade com a presença do projeto de Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) registrou conflito entre moradores e policiais militares, na noite de quarta-feira. A principal confusão aconteceu depois que um idoso de 81 anos morreu com um tiro no rosto durante uma manifestação de moradores da comunidade Mandela II, no Complexo de Manguinhos, Zona Norte. Revoltados com a morte do homem, identificado como José Joaquim de Santana, cerca de 50 pessoas fecharam a Avenida Leopoldo Bulhões, na altura do número 700, por mais de 30 minutos. Eles afirmaram que o disparo partiu de policiais militares da UPP do Arará/Mandela. No início da madrugada desta quinta-feira, um novo conflito foi registrado, com tiros e fogos.
Assim como informado pelo blog Repórter de Crime, do repórter Jorge Antonio Barros, de O GLOBO, o primeiro protesto começou depois que PMs da UPP abordaram um adolescente de 13 anos e queriam leva-lo para a delegacia. De acordo com os moradores, os policiais não quiseram esperar a chegada da mãe do adolescente. Houve conflito entre moradores e os PMs, que dispararam bombas de efeito moral e balas de borracha. Nesse momento, segundo relatos de moradores, um policial disparou um tiro para o alto, acertando José Joaquim, que estava na sacada de seu apartamento no condomínio da Embratel. Ele morreu no local.
Usando pedaços de madeiras, moradores fecharam a Avenida Leopoldo Bulhões.Os policiais conseguiram liberar o trânsito em uma das pistas no início da madrugada desta quinta-feira. Um motorista de um caminhão chegou a ser atingido por uma pedra. O policiamento foi reforçado em toda a região. Depois de cerca de 30 minutos, o trânsito foi liberado. Policiais civis da Divisão de Homicídios periciaram o local do crime e o corpo foi removido por volta de 2h. Poucos minutos depois, foram disparados tiros e fogos de artifício. Moradores voltaram a fechar a Avenida Leopoldo Bulhões.
O fundador da ONG Rio de Paz, Antônio Carlos Costa, foi até a comunidade após a morte do idoso. De acordo com ele, os moradores apontaram um policial como responsável pelo disparo.
- Passei o dia todo aqui e fui chamado pelas lideranças da comunidade quando o fato aconteceu. Fiquei assustado, pois não vi dialogo entre os moradores e os policiais. Essa população sofre com vários problemas e o estopim foi a abordagem que fizeram a esse adolescente - contou Antônio Carlos.
Na madrugada desta quinta-feira, os policiais não quiseram comentar as acusações. A UPP do Arará/Mandela conta com um efetivo de 273 policiais. As duas comunidades eram atendidas pela UPP Manguinhos, desmembrada para a criação da nova unidade, que conta com duas bases avançadas, sendo uma instalada na favela do Mandela (Rua Quatorze) e outra no Arará (Rua Carlos Matoso Corrêa).
Projeto
Nesta quinta-feira, a implantação das UPPs completa cinco anos. A primeira unidade inaugurada foi no Morro Santa Marta, em Botafogo, Zona Sul, em 19 de dezembro de 2008. Atualmente são 36 pontos na cidade.
Apesar dos bons resultados apresentados nos locais, há vários relatos de troca de tiros nas últimas semanas, como no Complexo do Alemão, Rocinha e Barreira do Vasco.
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