Friday, December 20, 2013

Saída de coronel do Comando da PM em Campina Grande, não passa de boatos; veja atuação do oficial


Circula desde ontem a informação de que o comandante do 2º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel Souza Neto, teria sido exonerado do cargo e ficaria na cadeira até o final de dezembro.

A imprensa, claro, correu em busca da confirmação do informe, mas até o momento nada de ‘positivo’ sobre o caso. Nós também ‘fuçamos’ o assunto e chegamos à seguinte resposta: “nada de oficial”.

É perfeitamente possível que o comandante deixe o 2º BPM nos próximos dias. Afinal, ninguém é eterno nesses postos de comando.

Em meio à informação disseminada, uma boa parte da população de Campina Grande já se levanta contra a suposta exoneração de Souza Neto. Alguns setores fazem até ‘campanha’ nas redes sociais, pedindo a permanência do tenente-coronel na Rainha da Borborema.

Mas por que essa “preocupação de Campina” com algo que é natural no setor público? A mudança de um comando policial não é tão certo quanto à morte, ou seja, ‘um dia ela chega’? E por que a cidade achou de se apegar logo a Souza Neto, se outros comandantes chegaram e saíram sem despertar esse ‘levante’?

A resposta se concentra mais fortemente em cinco letras: M-Í-D-I-A. Calma, não se precipite. Não estamos falando do aspecto ‘negativo’ que o termo transpassa, e sim dos resultados positivos que uma postura midiática traz para qualquer ser humano, vegetal, mineral, mortal ou infinito. Se mídia fosse algo ruim, a Coca Cola deixaria de ‘gastar’ dinheiro com propaganda e Duda Mendonça seria um homem pobre. Mídia é fundamental e fim de papo.

Os números   

Sob outros comandos militares, Campina Grande viveu dias mais tranquilos – ou “menos violentos”, como queiram – e nem por isso a cidade pede a volta dos comandantes de outrora. Vejamos abaixo uma retrospectiva dos últimos anos:
Em março de 2009, o tenente-coronel Marcos Marconi assumiu o 2º BPM, que antes era comandado pelo também tenente-coronelGuimarães. De acordo com os levantamentos do Mapa da Violência, Campina registrou, no ano anterior (com Guimarães, em 2008) 155 homicídios, sendo esta, portanto, a ‘herança’ recebida por Marconi.

O oficial boina azul (como é conhecido por já ter servido em missões de paz da ONU) passou todo o ano de 2009 no comando do 2º BPM e só saiu do posto em outubro de 2010, quando passou a cadeira para o tenente-coronelSobreira. Campina registrou, respectivamente, 184 e 218 homicídios naqueles dois anos. Ou seja, sinais claros da escalada da violência homicida na cidade.

Após a rápida passagem de Sobreira no 2º BPM (ficou apenas três meses no cargo), foi a vez de o então tenente-coronel João da Mattaassumir o batalhão. O oficial sentou na cadeira em janeiro de 2011 e passou todo o ano no cargo. Ao final dos 12 meses, Campina contou 176 homicídios, uma redução significativa e, mais que isso, a primeira vez que o município conseguiu baixar as taxas nos últimos tempos.

Matta saiu em fevereiro de 2012, para a chegada do tenente-coronel Souza Neto. No final de 2012, Campina contou 170 assassinatos (ou seja, diminuiu em menor proporção do que no ano anterior, mas não deixa de ser uma diminuição) e em 2013, as taxas voltam a subir: já são 177 homicídiosnesta reta final de ano. Considerando que estes últimos dias são, culturalmente, mais movimentados, podemos prever uma Campina com mais de 180 mortes violentas até o dia 31 de dezembro.   

ANO
COMANDANTES
(da esquerda para a direita na foto)
HOMICÍDIOS
2008
Guimarães
155
2009
Marcos Marcone
184
2010
Marcos Marcone e Sobreira
218
2011
João da Matta
176
2012
Souza Neto
170
2013
Souza Neto
177

Perfil dos comandantes

Guimarães: O ParaibaemQAP não existia no período em que o 2º BPM era comandado pelo tenente-coronel Guimarães. Como não tivemos nenhum contato nem acompanhamos o seu trabalho, vamos reservá-lo dessa parte.

Marcus Marconi: Veio a Campina no ano de ‘nascimento’ do QAP (2009). Vimos o que muita gente já nos informava: um oficial combatente, destemido e extremamente operacional. “Policial que gosta de rua”, já nos diziam vários policiais à época.

Sobreira: Embora tenha passado pouco tempo no 2º BPM, a informação que tivemos é de que se trata de um oficial muito ligado ao Policiamento Comunitário, ‘metodologia’ que vem dando certo no estado. Entre outras ações, Sobreira inaugurou a base da Força Tática no bairro do Catolé.

João da Matta: Oficial muito voltado para estudos, análises, estatísticas e considerado ‘caxias’ em alguns aspectos (“quer apenas que se faça o ‘certo’”, defendem alguns colegas). Pouco apareceu na mídia, mas, de acordo com os números, foi sob seu comando que Campina registrou a maior redução no número de assassinatos.

Souza Neto: Oficial que gosta de rua, de operações e de mostrar, através dos meios midiáticos, o trabalho que a polícia faz. Como todos os seus antecessores, Souza Neto tem virtudes e ‘defeitos’. Do ponto de vista midiático, o jovem oficial fez o que deve ser feito. Com os rumores de sua saída, dá para perceber que “o povo gosta mais da polícia hoje do que no tempo em que ela conseguia mostrar mais resultados em Campina”...

As ressalvas

É bom lembrar que comandante nenhum trabalha sozinho e, por isso, passa longe de ser o herói da história; que cada comando tem seu período e dificuldades específicas; que cada governo, com sua filosofia política, influi decisivamente nas estatísticas [positivas ou negativas] da violência; que o governo federal DÁ AS COSTAS para a segurança pública do país; que a segurança nas ruas depende TAMBÉM da Polícia Civil, do Poder Judiciário, do Sistema Prisional e de tantos outros setores que podem – e devem – combater a violência.

E o mais importante: comandante nenhum conseguirá trazer a paz de volta às ruas de uma cidade (no nosso caso, Campina Grande), se os profissionais da segurança pública não se sentirem valorizados e se o setor – SEGURANÇA PÚBLICA – não receber o tratamento que a necessidade exige. Se o comandante é “o espelho da tropa”, comandante sem tropa não é ninguém. Seja quem for o homem sentado na principal cadeira do 2º BPM.

Será que Campina voltaria a 155 homicídios apenas com a volta de Guimarães? Será se Campina vai virar um caos irreversível somente por causa da possível saída de Souza Neto?

Por fim, a MÍDIA

Quem do povo conhece o coronelGuimarães? Foi no ano de seu comando que, bom ruim, Campina derramou menos sangue. Como não havia Twitter e Facebook na popularidade de hoje, o ex-comandante ficou no anonimato.

Marcos Marconi até que é conhecido em Campina pelo seu perfil operacional, mas também não alcançou o boom das redes sociais. Além disso, enfrentou protestos de policiais na cidade (sem ser culpa dele) e comandou o 2º BPM no período em que José Maranhão era governador (quem estuda a relação política-imprensa em Campina vai entender...).

Sobreira, como dissemos, passou apenas três meses no comando, período muito curto para ficar conhecido pelos campinenses. EJoão da Matta, que também pegou a bomba que explodiu em nível nacional (paralisação das viaturas que quase cancelou o jogo Treze x São Paulo, no Amigão), passou 14 meses à frente do 2º BPM sem usar as redes sociais para divulgar os resultados positivos que seus policiais, aos poucos, estavam desenhando.

Chegamos a Souza Neto. Nesses quase dois anos comandando o 2º BPM, não conseguiu apresentar o resultado que o governo espera/exige no tocante aos índices de homicídios, mas, a nosso ver, já deixa uma grande contribuição à sociedade e principalmente aos profissionais da área. Foi somente com o atual comandante que boa parte população campinense começou a enxergar a polícia como uma instituição que “enxuga gelo”, mata um, dois ou mais leões por dia e faz – como sempre fez! – o seu papel.

Souza Neto não se destacou apenas pelo trabalho da polícia, mas por MOSTRAR que a polícia trabalha e que ela sozinha não trará a paz sonhada. Saindo hoje ou não, ele ficará, por isso, na memória dos campinenses durante um bom tempo. 




Assessoria 





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